Município de Almeida acolhe ação de formação “Museologia; Marketing e Comunicação; Conservação; Restauro; Iluminação e Segurança em museus”

formação decorre entre os dias 12 e 15 de outubro e a inscrição é gratuita

Organizada em parceria científico-pedagógica com a Associação Portuguesa de Museologia (APOM), a Direção de História e Cultura Militar do Exército Português (DHCM) e a Associação de Museus e Centros de Ciência de Portugal (MC2P), a formação é coordenada pelo Professor Doutor António Maia Nabais e pelo Coronel António Manuel Diogo Velez, numa cooperação entre entidades culturais civis e o Exército Português. A Direção Regional de Cultura do Centro é parceira institucional desta formação, integrando-se a mesma na estratégia defendida pela DRCC para a capacitação de profissionais dos museus e espaços culturais.  

“Museologia; Marketing e Comunicação; Conservação; Restauro; Iluminação e Segurança em museus” destina-se a museólogos e outros profissionais do setor e tem por objetivo contribuir para a qualificação do tecido museológico. Esta ação, de abrangência internacional, envolve o Exército do Brasil e o Oficial de Ligação do Exército Brasileiro para a área cultural em Portugal na DHCM.

A formação decorrerá de forma presencial e em videoconferência com os Museus Militares do Porto, Bragança e o Museu Histórico Militar do Exército no Rio de Janeiro. A participação nesta ação de formação é de inscrição gratuita beneficiando do apoio da Câmara Municipal de Almeida e da Liga de Amigos de Conimbriga/Cefop.Conimbriga. As inscrições devem ser formalizadas através do email  museu.militar@cm-almeida.pt, até dia 5 de outubro 2021.

A sessão de abertura conta com a presença de João Neto, presidente da APOM. A Diretora Regional de Cultura do Centro, Suzana Menezes, participa na sessão de encerramento e cerimónia de entrega de diplomas.

A ação de formação “Museologia; Marketing e Comunicação; Conservação; Restauro; Iluminação e Segurança em museus” , com a duração de 30 horas, é acreditada e certificada pelo Centro de Formação de Professores de Conímbriga – CEFOP.Conimbriga.

Dados úteis:
Formação Museologia; Marketing e Comunicação; Conservação; Restauro; Iluminação e Segurança em museus
12 a 15 de outubro 2021
Local: Museu Histórico e Militar de Almeida e Auditório Municipal de Almeida
Inscrições: museu.militar@cm-almeida.pt 
+ info: 271 571 229

Formulário de inscrição disponível aqui

Carta à Ministra da Cultura

Sua Excelência
Senhora Ministra da Cultura
Doutora Graça Fonseca

Assunto: Preocupações e soluções da APOM face à atual situação da museologia portuguesa.

A APOM, Associação Portuguesa de Museologia, vem por este meio apresentar junto de V. Exª., parte das soluções que, no seu entender, poderão contribuir para melhorar a atual situação, em grande medida causada pela pandemia, vivida nos museus, monumentos e sítios arqueológicos, jardins zoológicos, botânicos e aquários, ora tutelados pelo Estado ora pelo sector privado.

Neste contexto, é nosso entendimento que deverá ser criado e executado um programa de interesse nacional (task force), para acompanhar e fazer cumprir as medidas prioritárias preconizadas pela APOM, face aos problemas existentes na Museologia Portuguesa, envolvendo os equipamentos culturais e museológicos tutelados pelo Ministério da Cultura, Associações, Empresas, Fundações, Instituições Militares e Religiosas, Misericórdias e Universidades.

Primeiramente e perante a referida situação problemática, gostaríamos de elencar as seguintes evidências existentes como problemas.

• Importa sublinhar que o conjunto das entidades museológicas portuguesas emprega diretamente cerca de 8 000 trabalhadores, a que se soma todo o universo de colaboradores em regime de outsourcing, que diariamente garante o funcionamento das instituições (no plano da vigilância, segurança, limpeza, restauração, jardinagem, manutenção de instalações e equipamentos, mediação, museografia, design, artistas, curadores e um número infindável de microempresas e freelancers. Estes últimos, particularmente, viram-se gravemente afetados do ponto de vista económico e social.

• O contexto pandémico vivido a nível internacional e, em particular no nosso país, veio expor as fragilidades já existentes, que se agravaram nas entidades anteriormente citadas, perda entre 75 a 90 % de receitas de bilheteira, assim como da venda de produtos de loja ou de outras proveitos designadamente ao nível de cedência ou aluguer de espaços.

• À perda de receitas, juntam-se as despesas correntes que diária e mensalmente são o garante do funcionamento dos referidos espaços culturais, contando, para isso, com os encargos decorrentes da remuneração salarial, entre outras importantes despesas funcionais relacionadas com a conservação e restauro de bens patrimoniais, investigação, limpeza, manutenção, segurança e vigilância. Acresce salientar que devido à pandemia, muitas destas diligências obrigam, exponencialmente, sobretudo a nível do controlo de higiene e sanitário, um acentuado aumento junto dos seus orçamentos.

• À falta de verbas e orçamentos adequados, acrescem outras importantes necessidades, como seja a falta de renovação de profissionais que acumulam, há muito, funções para as quais não têm competências ou funções específicas para desempenhar. Para além desta realidade é igualmente preocupante, em alguns casos, a redução ou até mesmo o corte de recursos humanos nas equipas externas (em regime de outsourcing).

• Em resultado da pandemia, o encerramento forçado dos espaços culturais e museológicos, ao público, não significou a supressão das atividades dessas mesmas instituições. Ao invés, tais equipamentos prosseguiram as suas atividades, encontrando novos modelos de gestão e de trabalho, em grande parte resultantes do espírito de equipa, da dedicação, do empenho e enorme sentido de responsabilidade dos seus profissionais.

• Estas evidências são demonstrativas das preocupações da APOM em matérias tão sensíveis como estruturantes na gestão e sustentabilidade dos museus, com particular expressão para a integridade e segurança dos edifícios e dos bens culturais (com particular atenção para as coleções museológicas) à sua guarda. Neste sentido, e sem uma visão estratégica, poderá estar em causa o eventual encerramento de qualquer destas entidades, ato ou atitude que a APOM desde a sua génese, sempre reprovou e tem vindo a contrariar, em prol da memória, identidade e dos valores consagrados na atual Lei-Quadro dos Museus e na legislação que protege o Património Cultural nacional.

Perante estas legítimas preocupações é, no entender da APOM, necessário encontrar as melhores soluções que, a curto e médio prazos, permitam minorar e progressivamente eliminar os problemas acima descritos.

• Proceder à reabertura dos espaços culturais nacionais, associando o envolvimento de diferentes Órgãos de Soberania, nomeadamente a Presidência da República e, desta forma, com a eminente colaboração de Vossa Excelência de forma a garantir uma renovação de atitudes junto dos portugueses para visitarem os museus portugueses.

• Promover, com o Alto Patrocínio do Presidente da República, uma adequada campanha de comunicação, envolvendo os media portugueses, para sensibilizar os portugueses a visitarem os seus museus, para conhecerem o seu Património Cultural ou, de outra forma, para se identificarem com a sua hereditariedade histórica.

• Fomentar, através do Ministério da Cultura, a aquisição de vouchers para visitas gratuitas aos museus, em dias do ano e número de visitantes a definir.

• Reduzir o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), sobretudo no material de construção de exposições e adaptações expográficas; nos materiais e equipamentos para fins educativos; em projetos e serviços no âmbito dos curricula escolares, que contribuam para a manutenção dos postos de trabalho.

• Reduzir percentualmente os encargos, vulgo descontos, para a Segurança Social de profissionais precários.

• Incluir parte das receitas provenientes da Raspadinha do Património para as despesas de conservação, salvaguarda e renovação de bens culturais imóveis ligados ao património histórico e artístico nacional não público.

• Incentivar a participação dos museus, de todo o tipo de tipologias, no Plano Nacional das Artes, de modo a favorecer o envolvimento dos serviços educativos (e dos seus prestadores) em projetos conjuntos no âmbito dos curricula escolares, o que contribuiria para a manutenção dos postos de trabalho de colaboradores precários.

• Investir na formação dos profissionais de museus, maximizando a área digital, de modo a proporcionar a flexibilidade e reconversão laboral.

• Projeto nacional que proporcione a todas as instituições que desenvolvam atividade museológica exclusiva uma plataforma digital comum, que lhes permita continuar a servir os seus públicos e alavancar o posicionamento dos mercados nacionais e internacionais no pós-pandemia.

• A criação de uma Linha de Apoio Financeiro a Instituições Museológicas que exerçam única e exclusivamente atividade científica na área da museologia e que não estejam abrangidas pelo projeto ProMuseus. Uma Linha de Apoio, destinada a projetos que desenvolvam o conhecimento das coleções, criação de emprego e que promova a coesão territorial.

Por último, e no que concerne aos apoios financeiros de fundos europeus previstos a aplicar em Portugal, sob a intitulada “bazuca”, torna-se imprescindível que uma parte significativa dos mesmos seja canalizada para os museus portugueses, num âmbito alargado de tutelas públicas e privadas, de forma a garantir a sua recuperação, manutenção assim como o seu funcionamento e prosseguimento ao nível de atividades museológicas e, desta forma, contrariar as perdas registadas e dignificar a relevância do espaço museológico a nível local, regional e nacional.
Neste contexto, entendemos que deverá ser criado um Grupo de Trabalho (Comissão Independente), com a participação da APOM, destinado a acompanhar os processos, procedimentos na atribuição de fundos, de forma a garantir equidade e transparência na sua distribuição.

Agradecendo, penhorado, a atenção de Vossa Excelência no acolhimento do apelo acima expresso, dirijo, em nome da Direção, dos Órgãos Sociais e de todos os associados da APOM, os mais sinceros e respeitosos cumprimentos,

João Neto
Presidente da Direção

Novo confinamento

Estimados e Estimadas Colegas,

Um novo confinamento está instalado, mas a nossa capacidade de reagir não está confinada.

Em 2020, adaptamos novas rotinas, abraçamos novos desafios, mas continuamos a emanar o conhecimento, a beleza e a paixão inerente ao Património Cultural e que nos move enquanto profissionais do setor.

Os museus, palácios, monumentos e centros interpretativos não fecharam as suas portas, mas abrindo novas janelas e novas cadeias de informação para chegarmos a todos.

Fomos em 2020, e continuaremos a ser este ano, um pilar de esperança para os nossos visitantes (em contexto presencial ou digital), e vamos certamente ganhar um novo futuro, para nós, para as nossas famílias, para os nossos amigos, para os nossos visitantes e, sobretudo, para os Museus, com segurança e saúde.

Apesar das grandes dificuldades, vamos ser novamente RESILIENTES E RESPONSÁVEIS.

APOM, a vossa Associação que está sempre presente com e para todos!

Resolução do Conselho de Ministros n.º 70-A/2020

No âmbito da Resolução do Conselho de Ministros n.º 70-A/2020, que declara a situação de contingência, no âmbito da pandemia da doença COVID-19, destacamos os seguintes artigos:

“Artigo 20.º

Museus, monumentos, palácios, sítios arqueológicos e similares

1 – O funcionamento dos museus, monumentos, palácios, sítios arqueológicos e similares apenas é permitido desde que se:

a) Observem as normas e as instruções definidas pela DGS referentes ao distanciamento físico, higiene das mãos e superfícies, etiqueta respiratória e as regras previstas no presente regime;

b) Garanta que cada visitante dispõe de uma área mínima de 20 m2 e distância mínima de 2 metros para qualquer outra pessoa que não seja sua coabitante;

c) Assegure, sempre que possível:

i) A criação de um sentido único de visita;

ii) A limitação do acesso a visita a espaços exíguos;

iii) A eliminação, ou caso não seja possível, a redução, do cruzamento de visitantes em zonas de estrangulamento;

d) Minimizem as áreas de concentração dos visitantes com equipamentos interativos, devendo, preferencialmente, desativar os equipamentos que necessitem ou convidem à interação dos visitantes;

e) Recorra, preferencialmente, no caso de visitas de grupo, a mecanismos de marcação prévia, a fim de evitar situações de espera para entrar no equipamento cultural, bem como no espaço exterior;

f) Coloquem barreiras nas áreas de bilheteira e atendimento ao público;

g) Privilegie a realização de transações por TPA.

2 – A admissão dos visitantes deve ser realizada de forma livre ou por conjunto de pessoas, dependendo da área do referido equipamento cultural, devendo ser assegurada a regra de ocupação máxima indicativa de 0,05 pessoas por metro quadrado de área.

3 – A ocupação ou o serviço em esplanadas dos equipamentos culturais apenas é permitida, desde que sejam respeitadas, com as necessárias adaptações, as orientações da DGS para o setor da restauração.

4 – Nas áreas de consumo de restauração e bebidas dos equipamentos culturais devem respeitar-se as orientações definidas pela DGS para o setor da restauração.

Artigo 21.º

Eventos de natureza cultural

1 – Não obstante o disposto no n.º 1 do artigo 13.º, é permitido o funcionamento das salas de espetáculos, de exibição de filmes cinematográficos e similares, bem como de eventos de natureza cultural realizados ao ar livre, desde que:

a) Sejam observadas, com as devidas adaptações, as regras definidas nos artigos 7.º e 8.º;

b) Nas salas de espetáculo ou salas de exibição de filmes cinematográficos seja reduzida, sempre que necessário, sendo observadas as seguintes orientações:

i) Os lugares ocupados tenham um lugar de intervalo entre espetadores que não sejam coabitantes, sendo que na fila seguinte os lugares ocupados devem ficar desencontrados;

ii) No caso de existência de palco, seja garantida uma distância mínima de pelo menos dois metros entre a boca da cena e a primeira fila de espetadores;

c) Nos recintos de espetáculos ao ar livre, a lotação do recinto observe as seguintes orientações:

i) Os lugares estejam previamente identificados, cumprindo um distanciamento físico entre espetadores de 1,5 metros;

ii) No caso de existência de palco, seja garantida uma distância mínima de pelo menos 2 metros entre a boca da cena e a primeira fila de espetadores;

d) Os postos de atendimento estejam, preferencialmente, equipados com barreiras de proteção;

e) Seja privilegiada a compra antecipada de ingressos por via eletrónica e os pagamentos por vias sem contacto, através de cartão bancário ou outros métodos similares;

f) Sempre que aplicável, seja assegurada a manutenção dos sistemas de ventilação, garantindo que o seu funcionamento é efetuado sem ocorrência de recirculação de ar;

g) Se adaptem as cenas e os espetáculos ao vivo, sempre que possível, de forma a minimizar o contacto físico entre os envolvidos e a manter o distanciamento recomendado;

h) Sejam observadas outras regras definidas pela DGS.

2 – Nas áreas de consumo de restauração e bebidas destes equipamentos culturais devem respeitar-se as orientações definidas pela DGS para o setor da restauração.

3 – Para efeitos da presente resolução, não são consideradas concentrações de pessoas os eventos de natureza cultural organizados ao abrigo do presente artigo.”

Este documento pode ser consultado em: https://dre.pt/home/-/dre/142601170/details/maximized

Carta ao Diretor-Geral da Direção-Geral do Património

Exmo. Eng.º Bernardo Alabaça 

Digníssimo Diretor-Geral da Direção-Geral do Património 

Considerando a recente alteração do prazo de entrega de candidaturas ao procedimento concursal de seleção internacional, promovido pelo Aviso n.º 9312-A/2020, e publicado no Diário da República, 2ª série, n.º 118, de 19 de junho de 2020, para o provimento do cargo de direção intermédia de 1º grau como diretor de diversos serviços dependentes, bem como a sequente  Declaração de Retificação n.º 526-A/2020, publicada no Diário da República, 2.ª série, n.º 146, de 29 de julho de 2020, ao Aviso n.º 9312-A/2020 que, por forma a privilegiar os princípios da transparência e da segurança jurídica inerentes à atuação da administração, tornou público, por despacho do Diretor-Geral do Património Cultural, de 31 de julho, a prorrogação do prazo de apresentação das candidaturas até ao dia 10 de agosto, pedimos, a bem dos mesmos princípios aplicados, que:

a) possam os candidatos que já apresentaram propostas retirá-las, caso o entendam como conveniente, para as modificar e reapresentar dentro do novo prazo;

b) devam as propostas já apresentadas, caso os candidatos não as requeiram para posterior modificação, ser mantidas em absoluto resguardo, sendo apenas distribuídas pelos respetivos júris de avaliação após o dia 10 de agosto;

c) ser tornada pública a lista dos candidatos e das respetivas datas de entrega dos seus projetos a concurso.

Com os meus sinceros cumprimentos,

João Neto

Presidente 

Associação Portuguesa de Museologia 

Aljube. Um museu ainda à procura de uma Constituição Portuguesa

por João Neto

Disponível para consulta em: https://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/convidados/aljubeum-museu-ainda-a-procura-de-uma-constituicao-portuguesa-12416089.html

Tratamento do Ar

Cuidados Fundamentais a ter em consideração nos edifícios de museus e culturais, entre outros:

No que diz respeito aos Sistemas de AVAC, a recomendação geral da REHVA (Federation of European Heating Ventilation and Air Conditioning Associations) é de fornecer o máximo de ar exterior que seja razoavelmente possível. O parâmetro-chave é a quantidade de ar novo fornecido por pessoa e, nesse sentido, é essencial que a insuflação de ar continue a ser feita através das Unidades de Tratamento de Ar Novo, evitando a recirculação do Ar.

O Sistema de Climatização do Edifício é composto por duas componentes: o sistema de ventilação e renovação de Ar Novo feitos pelas UTANs e Ventiladores de Extração; e o Sistema de Refrigeração / Aquecimento do ar que é circulado, através dos Chillers e Ventiloconvetores, que reforça o ar já insuflado pelas UTANs.

Assim, os maiores cuidados a ter são no Sistema de Ventilação e Renovação do Ar Novo e não tanto no de Climatização propriamente dito.

Não foi comprovado pela OMS até à presente data existir risco de transmissão ou propagação do vírus através dos Sistemas de Climatização e Renovação de Ar do Edifício, pois não existem provas de transmissão do vírus de forma aérea. Ainda assim, a correta operação e manutenção dos sistemas de ventilação não deixam de ser importantes no controlo de proliferação de infeções.

Recordamos que a propagação do vírus, pelo que se sabe até agora, é feita essencialmente pela libertação de gotículas quando as pessoas falam, espirram ou tossem, atingindo as outras pessoas ou contaminando superfícies que são depois tocadas. Assim, as duas regras de Distanciamento Social e de Etiqueta Respiratória, associada à utilização de máscara ou viseira, serão as formas mais seguras de reduzir os riscos de propagação.

Nos edifícios não deve existir qualquer recirculação de ar. Todo o ar retirado do interior do edifício deve ser retirado para o exterior e o ar que entra ser totalmente filtrado, através do Filtros das UTANS, nomeadamente dos Filtros F.

Para além disso, deve-se aumentar ainda a extração das Instalações Sanitárias, de acordo com as recomendações da REHVA.

O Plano de Manutenção Preventiva para os Sistemas de AVAC devem, por isso, considerar as atividades de Manutenção adequadas à utilização do edifício que, na realidade, neste momento são menores, reforça-se, por isso, a Taxa de Renovação de Ar no edifício, por ocupante.

Neste sentido, o Sistema de AVAC não só não será um meio propagador do vírus, como está a funcionar e será mantido de forma a reduzir os riscos decorrentes da ocupação do edifício quando esta vier a aumentar.

Carta enviada à Professora Doutora Maria de Graça Freitas, Directora Geral da Saúde

Lisboa, 9 de maio de 2020

Excelentíssima Senhora
Directora Geral da Saúde
Professora Doutora Maria de Graça Freitas,

Excelentíssima,

A APOM é uma associação científica e profissional de utilidade pública que nasceu em 1965, tendo como objectivo primordial desenvolver e realçar a importância dos museus e das várias profissões associadas à museologia.
Ao longo dos seus 55 anos de existência a APOM sempre se regeu pela pluralidade e respeito por todas as ideias e projectos que favoreceram o desenvolvimento da museologia em Portugal, abrangendo instituições culturais tão diversas, públicas e privadas, como municipais, universitárias, militares e misericórdias.
Plenamente conscientes do esforço de agenda que no momento Vossa Excelência atravessa perante os actuais desafios, é dever e responsabilidade da APOM escutar e dar voz aos problemas sentidos por todos os museus portugueses e pelos seus profissionais, quando se perspectiva a reabertura em tempo de pandemia, contribuindo para a criação de um clima de indispensável confiança e segurança.
Neste sentido, e tendo presente a aproximação do dia internacional dos Museus (18 de maio), e a reabertura dos mesmos a APOM solicita o apoio de V.exa. e dos Serviços da DGS a maior atenção do nosso documento em anexo.
Pretendemos que o dia 18 de maio não seja apenas um dia de celebração, mas também o início do esclarecimento público que vise o regresso dos nossos visitantes.
A avaliação técnica – sanitária das nossas sugestões por parte da DGS e o apoio de Vossa Excelência será fundamental, no sentido de favorecer o regresso prudente e sustentado dos visitantes.
Uma das questões, que não está no nosso protocolo de sugestões, no documento anexo, é o funcionamento dos sistemas de ar condicionado ou forçado. Gostaríamos de saber a vossa opinião, para além da análise dos outros pontos.

A resolução dos problemas actuais terá de passar por encontrar, em comum, as melhores soluções para o largo universo dos museus portugueses e o esperado regresso presencial de visitantes aos museus, palácios, monumentos, centros interpretativos, centros de ciência viva e instituições que preservam espécies vivas.

Agradecendo antecipadamente a atenção dispensada por V. Excelência, apresentamos os mais respeitosos cumprimentos

O Presidente da APOM

(João Neto)

 

ANEXO

 

Lisboa, 9 Maio 2020

 

Assunto:

Orientações e Recomendações essenciais para Reabertura dos Museus, Palácios, Monumentos, Sítios Arqueológicos, instituições que preservam espécies vivas, Centros Interpretativos e Centros de Ciência de Viva de Portugal.

Resultante dos constrangimentos causados pela pandemia Covid-19, a APOM apresenta, sumariamente, as suas propostas e recomendações para a reabertura dos museus, palácios, monumentos, sítios arqueológicos, instituições que preservam espécies vivas, centros interpretativos e centros de ciência viva de Portugal.

  • É do entendimento da APOM, que todos os equipamentos culturais, acima referidos, deverão ter uma gradual abertura ao público, mediante o cumprimento de medidas e condições estruturantes, aplicadas sob um conjunto de normas nacionais, visando a correta utilização dos nossos espaços culturais.

Neste sentido a APOM vem apresentar um conjunto de orientações e recomendações essenciais para a reabertura dos espaços culturais.

Segurança e confiança

  • A reabertura dos espaços culturais decorrerá do processo de reforço e da implementação das medidas impostos pela DGS que assegurem as condições de proteção da saúde dos visitantes e dos profissionais. Mais ainda caberá a cada responsável/diretor avaliar essas condições para proceder à abertura dos seus espaços ao público, garantindo em segurança e confiança a fruição dos espaços.
  • A implementação dos melhores procedimentos, ao nível da elaboração, publicação e cumprimento de um regulamento, tão específico como abrangente, que sirva transversalmente todas as instituições culturais. Neste sentido, o regulamento deverá estar afixado em local bem visível para todo o púbico visitante, transmitindo bons níveis de confiança e segurança, durante a visita.
  • Recomenda-se a definição de percursos, sinalização e adaptação dos espaços que devem ser previamente estabelecidos, para o cumprimento do distanciamento social exigido.

Distanciamento Social, Higienização e Equipamentos de Proteção

  • A reabertura gradual dos espaços mencionados deverá ter em consideração as normas emanadas das autoridades de saúde, nomeadamente ao nível do distanciamento social nas áreas de trabalho e de visita, mas também e todas as regras de higienização.

Neste âmbito, devem ser implementados:

  •  O uso obrigatório de máscaras de proteção e de luvas, tanto para profissionais como para o público, incluindo nos espaços onde existam sistemas tecnológicos interativos e outros, cujo manuseamento seja efetuado manualmente.
  • Reforçar os serviços de limpeza e da higienização, durante os horários de abertura ao público, principalmente, nos espaços de atendimento (bilheteira, loja e cafetaria) e nas instalações sanitárias.
  • Efetuar pagamentos – bilheteira, loja e cafetaria- com recurso do Multibanco, sempre que possível.
  • Utilizar barreiras ou acrílicos protetores nas zonas de atendimento ao público, nomeadamente na recepção e loja, entre outros como por exemplo, a cafetaria.

 

Visitas Individuais e de Grupo

  • As visitas e atividades culturais, deverão ser sujeitas a marcação prévia.

Neste âmbito deve ser Reforçada a articulação com o Plano Nacional das Artes, nomeadamente no âmbito do projeto cultural de escola e as instituições museológicas.

  • Durante este período conturbado e por decisão dos diretores das diferentes instituições culturais, alguns espaços de visita, poderão ser encerrados em abono da segurança e saúde dos visitantes.

Apoio Financeiro

  • Garantir o reforço financeiro para a aquisição de serviços e de materiais para a implementação das medidas impostas pela DGS.
  • Garantir também o cumprimento dos compromissos assumidos anteriormente com diversas entidades no âmbito da contratualização de serviços prestados por empresas e fornecedores, entre outros agentes culturais, evitando desta forma o aumento do número de desempregados no sector profissional, direta ou indiretamente, ligados à Cultura.
  • Dar continuidade à área dos recursos digitais, projetos de comunicação digital, reforçando financeiramente as instituições museológicas portuguesas, pois, ficou evidente durante o tempo de confinamento, que os museus reinventaram-se na forma de comunicarem com o seu público. A linguagem digital foi o instrumento utilizado, que se traduziu em, estudos, exposições virtuais, renovação de sites, redes sociais e criação de plataformas que ajudaram a colmatar a ausência das visitas ou seja o contacto direto com as coleções.
  • Garantir o pagamento de vencimentos aos monitores e outros colaboradores (a recibo verde), que até aqui vinham prestando serviços no sector cultural.
  • A APOM apelando para a melhor compreensão da atual situação, propõe ainda algumas medidas solidárias, como sejam o alargamento de prazos no que diz respeito ao pagamento de despesas relacionadas com o abastecimento de água, fornecimento de energia elétrica, de gás e ainda de comunicações.

Esperança com Saúde

  • A APOM espera poder ver garantidas as medidas e recomendações expostas, e ver asseguradas, em tempo útil, as melhores condições para a reabertura dos museus, palácios, monumentos, sítios arqueológicos, instituições que preservam espécies vivas, centros interpretativos e centros de ciência viva existentes em Portugal.

O Presidente da APOM

(João Neto)

 

 

Carta ao Excelentíssimo Senhor Primeiro Ministro Dr. António Costa

Lisboa, 7 de Maio de 2020

Excelentíssimo Senhor

Primeiro Ministro

Dr. António Costa

Palácio de S. Bento

Excelência,

A APOM-Associação Portuguesa de Museologia é uma associação científica e profissional de utilidade pública que nasceu em 1965 e que assume como missão primordial a valorização dos museus e das diferentes atividades profissionais ligadas à museologia, cuja relevância social, cultural e científica sublinha e defende.

Ao longo dos seus 55 anos de existência, a APOM sempre se regeu pelo respeito da pluralidade de ideias e projetos favorecedores do desenvolvimento da museologia em Portugal, em que se encontram implicadas instituições culturais, públicas e privadas, tão diversas quanto entidades municipais, universitárias, militares, instituições de beneficência, como misericórdias, instituições de preservação de espécies vivas, centros interpretativos, centros de ciência e sítios arqueológicos.

Plenamente consciente do esforço de agenda que, perante os desafios presentes, Vossa Excelência enfrenta, a APOM entende como seu o dever de dar voz aos problemas e inquietações sentidos pelos museus portugueses e por seus profissionais ante a iminência da reabertura das instituições museológicas em contexto de pandemia, a fim de contribuir para a criação de um clima de indispensável confiança e segurança.

Neste sentido, e tendo presente a aproximação do dia internacional dos Museus (18 de maio), a APOM solicita a Vossa Excelência uma audiência presencial ou digital.

É opinião da APOM que essa data não deva corresponder apenas a uma ocasião celebrativa, mas outrossim ao assinalar de um esclarecimento público propiciador do regresso dos visitantes.

A APOM está ciente de que o abono de Vossa Excelência a favor do regresso dos visitantes aos museus se reveste de importância fundamental. Nesse sentido, enviou uma carta, que se anexa, à Senhora Ministra da Cultura, sugerindo a definição de condições gerais, a nível nacional, para o regresso prudente e sustentado dos visitantes.

A resolução dos problemas atuais terá de passar por encontrar, em comum, as melhores soluções para os problemas sentidos pelo vasto espetro das instituições portuguesas de índole museológica no quadro do augurado regresso presencial de visitantes aos museus, palácios, monumentos, centros interpretativos, centros de ciência viva e instituições que preservam espécies vivas, pelo que a APOM reitera a sua disponibilidade para colaborar com o Governo de Portugal.

Agradecendo antecipadamente a atenção dispensada por Vossa Excelência, apresento os mais respeitosos cumprimentos.

 

João Neto

Presidente da Associação Portuguesa de Museologia

Director do Museu da Farmácia

joao.neto@anf.pt   |  917 214 507